A Odisseia: Christopher Nolan entrega um épico monumental digno de 10/10
Existe uma frase que acompanha Christopher Nolan há praticamente toda a sua carreira. "Ele faz filmes para serem vistos no cinema." Depois de assistir A Odisseia, eu acho que essa frase ficou pequena.…
Nota Final
Existe uma frase que acompanha Christopher Nolan há praticamente toda a sua carreira. "Ele faz filmes para serem vistos no cinema." Depois de assistir…
Existe uma frase que acompanha Christopher Nolan há praticamente toda a sua carreira. "Ele faz filmes para serem vistos no cinema." Depois de assistir A Odisseia, eu acho que essa frase ficou pequena. Christopher Nolan não fez apenas um filme. Ele construiu uma experiência cinematográfica que lembra por que o cinema ainda consegue ser maior do que qualquer tela dentro de casa. Mas calma.
Isso não significa que A Odisseia seja perfeito. E talvez seja justamente por isso que ele seja tão fascinante. Desde o anúncio da adaptação do clássico de Homero, existia uma dúvida inevitável: como transformar uma das histórias mais importantes da humanidade em um blockbuster moderno sem perder sua essência?
A resposta de Nolan foi surpreendentemente simples. Ele não moderniza Homero. Ele moderniza a forma de filmar Homero. O resultado é um épico que parece gigantesco em todos os sentidos. Cada enquadramento transmite escala. Cada batalha parece ter peso.
Cada ilha visitada durante a jornada de Odisseu carrega personalidade própria. É um daqueles filmes que constantemente faz você lembrar por que vale a pena sair de casa para assistir algo na maior tela possível.
O que mais me chamou atenção foi justamente essa grandiosidade. Nolan resgata a sensação dos grandes épicos do cinema, mas faz isso utilizando tudo o que a tecnologia atual pode oferecer, sem transformar o espetáculo em algo vazio. Cada cena parece construída para fazer o espectador sentir o peso daquela jornada.
Matt Damon entrega, provavelmente, uma das melhores atuações de sua carreira. Seu Odisseu está longe de ser um herói perfeito. É um homem cansado. Marcado pela guerra. Consumido pela culpa. Obcecado por voltar para casa. Existe humanidade em praticamente todas as suas decisões. E isso faz toda diferença.
Anne Hathaway também impressiona como Penélope. Mesmo aparecendo menos do que muitos esperavam, ela transforma cada cena em algo memorável. Tom Holland surpreende bastante. Seu Telêmaco deixa de ser apenas "o filho de Odisseu" e ganha uma importância dramática que fortalece o terceiro ato. Mas talvez o maior mérito de Nolan seja outro. Ele finalmente encontra um equilíbrio que muitos diziam que ele nunca conseguiria alcançar. Durante anos, parte do público afirmava que Nolan fazia filmes brilhantes tecnicamente, mas frios emocionalmente. Em A Odisseia, essa impressão praticamente desaparece. O espetáculo continua gigantesco. Só que agora existe emoção suficiente para sustentar toda essa grandiosidade. Ainda assim... Nem tudo funciona. Algumas escolhas narrativas tornam o filme excessivamente denso. Quem espera uma aventura linear provavelmente vai estranhar a forma como Nolan reorganiza determinados acontecimentos da obra original. Em alguns momentos, a narrativa exige bastante atenção do espectador. Também tive a sensação de que alguns elementos importantes do poema de Homero acabam sendo simplificados para tornar a história mais acessível ao grande público. Não chega a comprometer o resultado final, mas é algo que pode incomodar quem conhece profundamente a obra original. Visualmente... Não existe muito o que dizer. É simplesmente absurdo. Hoyte van Hoytema talvez tenha entregue o trabalho mais impressionante de fotografia de toda sua carreira. Existem cenas que parecem pinturas renascentistas ganhando movimento. Outras fazem você esquecer completamente que está assistindo a um filme feito em 2026. Tudo parece gigantesco. Orgânico. Real. E quando Ludwig Göransson entra em cena... A experiência sobe outro nível. Sua trilha sonora nunca tenta roubar o protagonismo das imagens. Ela apenas amplia tudo aquilo que já estamos sentindo. É justamente nessa combinação entre fotografia, direção e trilha sonora que o filme alcança seu ponto mais alto. Existem cenas que parecem pinturas ganhando vida e outras que simplesmente fazem você esquecer que está sentado dentro de uma sala de cinema. Talvez exista apenas um pequeno problema. A Odisseia é tão ambicioso... Que às vezes parece maior do que o próprio espectador. Existem momentos em que Nolan claramente prioriza a grandiosidade da experiência em vez da simplicidade narrativa. Para alguns isso será genial. Para outros, cansativo. E eu entendo os dois lados. Mas, sinceramente... Quando as luzes do cinema acenderam, eu não fiquei pensando nos pequenos problemas do roteiro. Fiquei pensando que eu tinha acabado de assistir algo raro. Um filme que acredita no poder do cinema. Sem depender de nostalgia. Sem depender de universos compartilhados. Sem depender de fan service. Apenas uma história gigantesca... Contada por um diretor que parece estar no auge absoluto da própria carreira. Poucas vezes saí do cinema com a sensação de ter assistido a algo que realmente vai ficar na história. Não estou falando apenas de um grande filme. Estou falando de uma obra que, daqui a muitos anos, provavelmente ainda será usada como referência quando alguém perguntar como se faz um épico moderno. Não sei se A Odisseia é o melhor filme de Christopher Nolan. Essa discussão provavelmente vai durar muitos anos. Mas tenho certeza de uma coisa. É um daqueles filmes que vamos lembrar quando alguém perguntar como ainda era possível fazer grandes eventos cinematográficos na década de 2020.
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