Dia D (Disclosure Day): Spielberg prova que ainda sabe nos fazer olhar para o céu
Steven Spielberg passou décadas nos ensinando a olhar para o céu. De Contatos Imediatos do Terceiro Grau até Guerra dos Mundos, poucos diretores conseguiram transformar o desconhecido em algo tão fasc…
Nota Final
Steven Spielberg passou décadas nos ensinando a olhar para o céu. De Contatos Imediatos do Terceiro Grau até Guerra dos Mundos, poucos diretores conse…
Steven Spielberg passou décadas nos ensinando a olhar para o céu. De Contatos Imediatos do Terceiro Grau até Guerra dos Mundos, poucos diretores conseguiram transformar o desconhecido em algo tão fascinante quanto ele. Agora, aos 79 anos, o cineasta retorna ao terreno que ajudou a definir com Dia D (Disclosure Day), uma ficção científica ambiciosa, grandiosa e, acima de tudo, extremamente spielberguiana.
Mas a pergunta que realmente importa é: Spielberg ainda consegue encantar o público em uma era dominada por franquias, multiversos e algoritmos?
A resposta é sim... mas não sem algumas turbulências no caminho.
Logo nos primeiros minutos, Dia D mostra exatamente por que Spielberg continua sendo um dos maiores diretores da história do cinema. Existe um senso de espetáculo que poucos conseguem replicar. A câmera se movimenta com propósito, os mistérios são apresentados de forma envolvente e cada nova revelação faz o espectador querer descobrir o que está acontecendo. É aquele sentimento clássico de aventura que marcou gerações.
A trama gira em torno de uma gigantesca conspiração envolvendo contatos extraterrestres escondidos do público durante décadas. O filme acompanha personagens que tentam expor a verdade enquanto o mundo vive uma crise global cada vez mais intensa. Parece simples no papel, mas Spielberg utiliza esse conceito para discutir temas como empatia, confiança, medo e a forma como a sociedade moderna reage à informação.
E aqui está uma das maiores qualidades do filme.
Enquanto boa parte da ficção científica atual está preocupada em construir universos gigantescos, Spielberg continua interessado nas pessoas. Os alienígenas, a conspiração e os efeitos visuais são importantes, mas funcionam mais como ferramentas para explorar emoções humanas do que como o foco principal da narrativa. É uma característica presente em praticamente toda sua filmografia e que aparece novamente aqui.
Emily Blunt é, provavelmente, o maior destaque do elenco. Sua personagem poderia facilmente cair no exagero, mas a atriz consegue equilibrar vulnerabilidade, carisma e estranheza de forma impressionante.
Visualmente, o filme também entrega momentos espetaculares. Spielberg continua demonstrando uma habilidade quase absurda para criar cenas de grande escala sem perder a clareza visual. Há sequências de ação e tensão que lembram por que ele ajudou a moldar o conceito moderno de blockbuster.
Porém, nem tudo funciona.
O principal problema de Dia D está justamente na segunda metade. Conforme o mistério começa a ser explicado, o roteiro perde parte da força construída no início. Algumas ideias parecem excessivamente complexas, enquanto outras recebem soluções simples demais. O resultado é uma narrativa que oscila entre momentos brilhantes e decisões que não possuem o mesmo impacto que prometiam.
Outro ponto que pode dividir o público é a mensagem central do filme. Spielberg aposta fortemente na ideia de que a empatia pode ser a resposta para um mundo cada vez mais dividido. É uma mensagem bonita, coerente com sua carreira e até necessária nos dias atuais. Porém, alguns críticos consideraram a abordagem simplista demais para questões tão complexas.
E talvez seja justamente aí que Dia D encontre sua identidade.
Ele não tenta ser um filme cínico. Não tenta desconstruir o gênero. Não tenta parecer mais inteligente do que realmente é.
Spielberg acredita genuinamente na capacidade das pessoas de serem melhores.
Pode soar ingênuo para alguns espectadores. Para outros, será exatamente o tipo de esperança que anda faltando no cinema atual.
No fim das contas, Dia D está longe de ser uma obra-prima do nível de Jurassic Park, Tubarão ou O Resgate do Soldado Ryan. Também não reinventa a ficção científica. Mas entrega algo que poucos diretores conseguem oferecer hoje: uma aventura sincera, emocional e feita por alguém que ainda acredita no poder do cinema de despertar maravilhamento.
Mesmo para quem não é fã desse estilo de filme, existe qualidade suficiente aqui para reconhecer o talento por trás da produção.
Spielberg talvez não esteja tentando revolucionar o cinema desta vez.
Ele apenas está nos lembrando por que se tornou Steven Spielberg.
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