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Evil Dead Burn impressiona pela violência, mas perde a alma da franquia

Existe um problema quando uma franquia se torna tão boa que você passa anos esperando o próximo capítulo. Evil Dead nunca foi uma saga comum. Mesmo mudando de diretores, estilos e protagonistas ao lo…

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Evil Dead Burn impressiona pela violência, mas perde a alma da franquia

Nota Final

6 /10

Existe um problema quando uma franquia se torna tão boa que você passa anos esperando o próximo capítulo. Evil Dead nunca foi uma saga comum. Mesmo m…

Existe um problema quando uma franquia se torna tão boa que você passa anos esperando o próximo capítulo.

Evil Dead nunca foi uma saga comum. Mesmo mudando de diretores, estilos e protagonistas ao longo dos anos, sempre existiu algo que unia todos os filmes: uma identidade muito forte. Você podia assistir por cinco minutos e saber que aquilo era Evil Dead.

Depois de sair da sessão de Evil Dead Burn, a sensação que ficou comigo foi justamente a contrária.

Não acho que seja um filme ruim.

Mas também não acho que seja um bom filme de Evil Dead.

Essa é a maior decepção que tive.

Visualmente, o longa é impressionante. Sébastien Vaniček mostra personalidade na direção, cria planos-sequência muito bem executados e entrega algumas cenas de violência que certamente vão entrar para a história da franquia. A maquiagem continua fantástica, o trabalho de efeitos práticos impressiona e o CGI, quando aparece, funciona muito melhor do que eu esperava. Tecnicamente, é difícil encontrar grandes problemas aqui.

Só que Evil Dead nunca viveu apenas de sangue.

E é justamente aí que, para mim, Burn tropeça.

O roteiro parece extremamente apressado. Os acontecimentos simplesmente vão acontecendo, muitas vezes sem dar tempo para que o espectador compreenda as motivações dos personagens ou se importe com eles. Em diversos momentos eu senti que o filme estava correndo contra o relógio, como se tivesse medo de respirar entre uma cena de violência e outra.

Isso faz com que boa parte do impacto emocional simplesmente desapareça.

Outro ponto que me incomodou bastante foi a falta de identidade.

Em vários momentos parecia que eu estava assistindo apenas a mais um filme genérico de possessão demoníaca.

Falta aquele toque de Evil Dead.

Falta aquela loucura.

Falta aquele exagero criativo.

Falta o Necronomicon sendo tratado como algo realmente importante.

Faltam referências mais marcantes ao legado da franquia.

E, principalmente, falta aquela sensação de que existe um DNA próprio por trás de tudo isso.

Uma das decisões que menos funcionaram para mim foi a tentativa de inserir alívios cômicos ao longo da história.

Não porque Evil Dead nunca teve humor.

Muito pelo contrário.

Os filmes de Sam Raimi praticamente reinventaram a mistura entre terror e comédia.

A diferença é que lá o humor fazia parte da identidade da obra.

Aqui ele simplesmente aparece.

Algumas piadas quebram completamente a tensão e soam deslocadas dentro de um filme que, até então, tenta construir um clima sério e angustiante.

Mas também seria injusto ignorar os acertos.

Quando Evil Dead Burn decide abraçar o horror físico, ele entrega algumas das cenas mais pesadas de toda a franquia.

A violência é brutal.

A maquiagem é impecável.

Existem imagens que realmente ficam na cabeça depois que o filme termina.

Talvez seja justamente por isso que a minha frustração seja ainda maior.

Porque potencial existe.

Muito potencial.

Só que, para mim, ele nunca é transformado em uma história realmente memorável.

Saí do cinema com a sensação de que, daqui a alguns meses, vou lembrar de duas ou três cenas específicas...

Mas dificilmente vou lembrar do filme como um todo.

Enquanto boa parte da crítica especializada abraçou Burn justamente por sua violência extrema e por tentar levar a franquia para um caminho mais sombrio, eu simplesmente não consegui comprar essa ideia por completo. Acho que o filme confunde brutalidade com personalidade. Ser mais sangrento não significa automaticamente ser mais marcante.

No fim das contas, Evil Dead Burn não entra para a lista de filmes ruins da franquia.

Mas também não chega perto dos melhores.

É competente tecnicamente.

É pesado.

É violento.

Tem ótimos efeitos.

Mas, para mim, deixa escapar justamente aquilo que sempre fez Evil Dead ser especial.

A alma da franquia.

Matheus Bochenek

Redação 404 Nerd Not Found

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