Hokum | O terror irlandês mais sufocante do ano entrega uma experiência perturbadora
Existe algo muito especial quando um diretor consegue criar uma identidade própria no terror. Você bate o olho — ou sente os primeiros minutos — e já sabe exatamente quem está por trás daquilo. Damian…
Nota Final
Existe algo muito especial quando um diretor consegue criar uma identidade própria no terror. Você bate o olho — ou sente os primeiros minutos — e já …
Existe algo muito especial quando um diretor consegue criar uma identidade própria no terror. Você bate o olho — ou sente os primeiros minutos — e já sabe exatamente quem está por trás daquilo. Damian McCarthy já entrou nesse nível. Depois de “Caveat” e “Oddity”, ele entrega em “Hokum” mais uma aula de folk horror atmosférico, desconfortável e absurdamente imersivo.
O filme pega todos os elementos que fizeram o diretor virar um dos nomes mais interessantes do horror moderno: folclore irlandês, culpa, traumas, espaços claustrofóbicos, silêncio sufocante e aquela sensação constante de que tem algo errado em cada canto do cenário. E o mais impressionante é como TUDO parece ter propósito. Não existe cena jogada fora, não existe objeto colocado aleatoriamente. McCarthy faz um terror inteligente, cheio de detalhes escondidos e pequenas pistas que te obrigam a ficar completamente preso naquele universo.
E quando o terror começa de verdade… esquece. Você já está fundo demais pra escapar. A atmosfera aqui é simplesmente absurda. O hotel isolado na Irlanda vira praticamente um personagem vivo. Cada corredor, cada porta, cada sombra transmite ansiedade. O filme entende perfeitamente que o medo não precisa viver só em jumpscare. Muitas vezes, o desconforto vem da espera. Do silêncio. Da câmera parada tempo demais. Da sensação de que alguma coisa vai surgir a qualquer segundo. E quando os sustos acontecem, eles são brutais justamente porque o filme sabe construir tensão como poucos hoje em dia.
Adam Scott merece MUITO destaque aqui. Talvez a melhor atuação da carreira dele. O cara consegue equilibrar sarcasmo, desgaste emocional e desespero de uma forma muito natural. O protagonista é quebrado, amargurado, alcoólatra, difícil de gostar… e isso só deixa tudo mais humano. Vários críticos gringos compararam a presença dele a protagonistas clássicos de Stephen King, e faz total sentido. Ele carrega aquele peso de alguém que claramente já perdeu pra própria mente faz tempo. O mais bizarro é como Damian McCarthy consegue transformar uma premissa simples em algo gigantesco. O filme mistura horror sobrenatural, trauma psicológico, mistério e folclore sem virar bagunça. Tudo conversa entre si. E mesmo sendo um terror mais lento e contemplativo, ele nunca fica cansativo. Pelo contrário: quanto mais o filme avança, mais sufocante ele fica. Mas justamente por apostar tanto nessa atmosfera lenta e contemplativa, “Hokum” pode afastar parte do público. É um terror paciente, que prefere construir desconforto ao invés de entregar sustos a cada cinco minutos. Além disso, algumas respostas ficam abertas demais no terceiro ato, e isso pode frustrar quem espera algo mais direto ou explosivo no final.
Ainda assim, é facilmente um dos terrores mais interessantes do ano.
- Atmosfera extremamente sufocante e imersiva
- Atmosfera extremamente sufocante e imersiva
- Folk horror inteligente e cheio de simbolismos
- Hotel funciona quase como um personagem vivo
- Ritmo contemplativo pode afastar parte do público
- Poucos jumpscares e abordagem mais psicológica podem frustrar quem busca terror tradicional
- Algumas respostas ficam abertas demais no terceiro ato
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