Maldição da Múmia aposta no impacto visual, mas esquece de construir algo memorável
Maldição da Múmia tenta se vender como uma nova leitura do clássico, mas, na prática, entrega um terror que funciona mais pelo impacto visual do que por uma identidade própria. A história gira em tor…
Nota Final
Maldição da Múmia tenta se vender como uma nova leitura do clássico, mas, na prática, entrega um terror que funciona mais pelo impacto visual do que p…
Maldição da Múmia tenta se vender como uma nova leitura do clássico, mas, na prática, entrega um terror que funciona mais pelo impacto visual do que por uma identidade própria.
A história gira em torno da família Cannon, marcada pelo desaparecimento da filha Katie durante uma tempestade de areia no Egito. Oito anos depois, ela reaparece — mas completamente diferente: catatônica, parcialmente mumificada e carregando algo claramente errado. A partir daí, o filme entra naquele terreno clássico do “algo voltou, mas não é mais a mesma pessoa”.
E aqui já dá pra perceber o principal: o filme funciona muito melhor no desconforto do que na construção.
Lee Cronin mostra que sabe dirigir terror. A atmosfera é pesada, a câmera é viva, e há um cuidado visual que foge daquele padrão genérico de estúdio. Quando ele abraça de vez o grotesco, o filme cresce. O body horror aqui é agressivo — principalmente envolvendo uma criança — e isso cria um incômodo real. Não é só susto barato.
As atuações também ajudam a sustentar o caos. O pai, vivido por Jack Reynor, convence bem na dor e na negação. A presença de May Calamawy traz mais peso em cena, e a jovem Natalie Grace entrega uma performance perturbadora — do jeito certo para um terror.
Além disso, existe uma tentativa clara de trabalhar o luto e o trauma familiar por trás de tudo. E quando o filme conecta esses temas ao horror físico, ele até encontra momentos realmente fortes.
Mas aí entra o problema: o roteiro não acompanha.
As conveniências são gritantes. Situações simplesmente “acontecem porque o filme precisa”, quebrando a imersão o tempo todo. É aquele tipo de escrita que parece preguiçosa, em que tudo se encaixa fácil demais na hora certa — e isso pesa.
Outro ponto é o excesso de estilo tentando mascarar essa fragilidade. Cronin força alguns recursos visuais para dar uma cara mais “autoral”, mas, no fundo, o filme tem estrutura de terror industrial. Essa tentativa de parecer algo mais acaba ficando evidente.
E talvez o maior pecado seja a falta de identidade. Troque a múmia por qualquer entidade demoníaca genérica e o filme continua exatamente o mesmo. Não existe um uso real do conceito de “múmia” além da estética. Em muitos momentos, o resultado parece mais um Evil Dead disfarçado do que algo realmente próprio.
No fim, Maldição da Múmia é aquele filme que entrega momentos fortes — principalmente no gore e no desconforto —, mas não sustenta isso com uma base sólida. Há talento na direção e boas ideias espalhadas, mas falta personalidade e, principalmente, um roteiro à altura.
Veredito: funciona no impacto, mas esquece de construir algo memorável. Um terror que você sente… mas não leva com você depois que acaba.
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