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Supergirl acerta na protagonista, mas tropeça ao não sustentar seu próprio potencial

CRÍTICA | SUPERGIRL Existe um peso enorme sobre Supergirl. Não apenas porque ela é uma das personagens mais importantes da DC, mas porque este filme chega carregando uma responsabilidade gigantesca: …

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Supergirl acerta na protagonista, mas tropeça ao não sustentar seu próprio potencial

Nota Final

7 /10

CRÍTICA | SUPERGIRL Existe um peso enorme sobre Supergirl. Não apenas porque ela é uma das personagens mais importantes da DC, mas porque este filme …

CRÍTICA | SUPERGIRL Existe um peso enorme sobre Supergirl.

Não apenas porque ela é uma das personagens mais importantes da DC, mas porque este filme chega carregando uma responsabilidade gigantesca: provar que o novo universo da DC não depende apenas do Superman para funcionar. Depois do sucesso de Superman, muitos esperavam que Supergirl fosse o próximo grande acerto de James Gunn. Outros tinham medo de que ela se tornasse apenas uma peça de transição para futuros projetos.

A verdade? O resultado fica exatamente no meio do caminho. E talvez esse seja o maior problema do filme. Supergirl é uma produção cheia de boas ideias, ótimas atuações e momentos genuinamente emocionantes, mas que nunca consegue transformar tudo isso em algo realmente memorável. Milly Alcock é, sem qualquer discussão, a melhor parte do longa.

Desde sua primeira aparição, fica claro que essa não é uma versão tradicional da personagem. Kara Zor-El surge mais quebrada, mais impulsiva e muito mais marcada pelos traumas de Krypton do que qualquer adaptação anterior mostrou.

É uma Supergirl que carrega cicatrizes. E Alcock vende isso de forma impressionante. Grande parte da crítica internacional concorda que ela consegue criar uma identidade própria para a personagem, sem parecer uma simples versão feminina do Superman. Quando o filme funciona, quase sempre é por causa dela.

Outro grande destaque é a relação entre Kara e Ruthye. O filme adapta a famosa HQ "Woman of Tomorrow", considerada por muitos uma das melhores histórias da personagem já publicadas. A dinâmica entre as duas gera alguns dos momentos mais fortes da narrativa, especialmente quando a história deixa de lado explosões e batalhas para focar em temas como perda, vingança e amadurecimento.

É justamente aí que Supergirl mostra personalidade. O problema é que o roteiro nem sempre parece confiar nesses momentos. Em diversos trechos, o filme parece prestes a se tornar algo diferente dentro do gênero de super-heróis. Mais intimista. Mais emocional. Mais corajoso. Mas frequentemente acaba voltando para o caminho seguro. E isso prejudica bastante a experiência. Boa parte dos críticos apontou exatamente a mesma questão: o terceiro ato abandona parte da identidade construída anteriormente para entregar uma sequência de ação gigantesca, repleta de CGI e convenções típicas do gênero. Não chega a ser ruim.

Mas também não é algo que você nunca tenha visto antes. Visualmente, o filme apresenta altos e baixos. Existem cenas belíssimas que lembram o tom de faroeste espacial da HQ original. Por outro lado, alguns efeitos especiais e cenários digitais não possuem o mesmo impacto que o restante da produção sugere. Em determinados momentos, a direção de Craig Gillespie cria imagens incríveis. Em outros, parece um blockbuster genérico tentando cumprir tabela. Jason Momoa como Lobo também divide opiniões. Quando aparece, ele rouba a cena.

É carismático, divertido e parece ter nascido para interpretar o personagem. Mas existe um problema curioso: em alguns momentos, Lobo é tão interessante que quase ameaça roubar o protagonismo da própria Supergirl. Não à toa, vários críticos destacaram suas participações como alguns dos momentos mais divertidos do filme. Talvez o aspecto mais frustrante de Supergirl seja justamente perceber o potencial gigantesco que existe aqui.

O filme claramente quer ser mais do que uma simples aventura de super-herói. Ele quer falar sobre trauma. Sobre perda.

Sobre encontrar um propósito quando tudo parece ter sido arrancado de você. Mas nem sempre consegue aprofundar essas ideias da forma que deveria. Existe uma sensação constante de que estamos assistindo a uma versão muito boa de um filme que poderia ter sido excelente.

Ainda assim, seria injusto chamar Supergirl de decepção. Ela não é.

A personagem finalmente recebe uma adaptação que entende quem ela realmente é. Milly Alcock entrega uma performance que provavelmente será lembrada por muitos anos. E a construção desse lado mais humano de Kara funciona muito melhor do que boa parte das produções recentes do gênero.

O problema é que o restante do filme raramente alcança o mesmo nível da sua protagonista. No fim das contas, Supergirl não é o próximo Superman. Também não é o desastre que alguns previam. É um filme competente, emocional em vários momentos, visualmente irregular e sustentado quase inteiramente por uma protagonista excelente.

Talvez não seja o grande salto que a DC precisava. Mas é um passo na direção certa.

Matheus Bochenek

Redação 404 Nerd Not Found

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