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Toy Story 5 Justifica Sua Existência, Mas Não Alcança a Magia dos Clássicos

Existem poucas franquias que carregam um peso emocional tão grande quanto Toy Story. Para muita gente, são apenas filmes de animação. Para outros, são memórias de infância. E eu me encaixo totalmente …

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Toy Story 5 Justifica Sua Existência, Mas Não Alcança a Magia dos Clássicos

Nota Final

8 /10

Existem poucas franquias que carregam um peso emocional tão grande quanto Toy Story. Para muita gente, são apenas filmes de animação. Para outros, são…

Existem poucas franquias que carregam um peso emocional tão grande quanto Toy Story. Para muita gente, são apenas filmes de animação. Para outros, são memórias de infância. E eu me encaixo totalmente no segundo grupo. Eu cresci com Woody, Buzz, Jessie, Rex, Cabeça de Batata e toda aquela turma. Vi Andy crescer. Vi os brinquedos enfrentarem despedidas que marcaram gerações. Vi Toy Story 3 entregar um dos finais mais emocionantes da história do cinema. E depois vi Toy Story 4 surgir como uma continuação que ninguém pediu, mas que conseguiu justificar sua existência. Então chegamos a Toy Story 5. E a pergunta inevitável era: será que a Pixar finalmente foi longe demais? A resposta é complicada. Mas, surpreendentemente, não é um desastre.


A difícil missão de continuar uma história que já havia terminado Desde o anúncio de Toy Story 5, boa parte dos fãs ficou dividida. Muitos acreditavam que Toy Story 3 já havia encerrado tudo de forma perfeita. Outros enxergaram Toy Story 4 como o capítulo final definitivo para Woody. Então qual o motivo para um quinto filme? A resposta da Pixar foi apostar em algo extremamente atual: a relação das novas gerações com a tecnologia. Bonnie cresceu em um mundo completamente diferente daquele em que Andy viveu. Tablets, celulares, inteligência artificial e dispositivos eletrônicos fazem parte do dia a dia das crianças modernas. E é justamente aí que Toy Story 5 encontra sua principal força. O filme não trata a tecnologia como uma vilã. Ele não faz aquele discurso preguiçoso de que "na minha época era melhor". Pelo contrário. A história tenta discutir como a tecnologia mudou a forma como as crianças brincam e como isso afeta personagens que foram criados para um mundo completamente diferente. É um tema inteligente e relevante. Principalmente para quem, como eu, cresceu numa geração que ainda passava horas inventando histórias com brinquedos espalhados pelo chão.


Jessie finalmente recebe o protagonismo que merece Uma das decisões mais acertadas do filme é dar mais espaço para Jessie. Depois de anos vivendo à sombra de Woody e Buzz, a personagem finalmente assume um papel central na narrativa. E funciona. Muito. Jessie sempre foi uma das personagens mais interessantes da franquia, mas raramente recebeu o destaque necessário para carregar uma trama inteira. Aqui ela ganha momentos emocionantes, conflitos próprios e uma evolução genuína. Enquanto isso, Woody e Buzz acabam funcionando mais como pilares da história do que como protagonistas absolutos. É uma decisão que certamente vai dividir opiniões. Mas, sinceramente? Depois de cinco filmes, talvez fosse exatamente o que a franquia precisava.


Visualmente, a Pixar continua jogando outro esporte Se existe algo que nunca decepciona em uma produção da Pixar, é a qualidade técnica. E Toy Story 5 leva isso para outro nível. A animação é absurda. Os detalhes dos tecidos, da madeira, dos brinquedos antigos, da iluminação e das expressões faciais são simplesmente impressionantes. Em vários momentos você esquece que está assistindo uma animação. É difícil acreditar que aquela mesma franquia começou lá em 1995. A evolução tecnológica é gigantesca. E a Pixar faz questão de mostrar isso em praticamente todas as cenas.


Nem tudo funciona Mas Toy Story 5 também apresenta problemas. E eles não são poucos. A principal crítica feita por boa parte da imprensa internacional é algo que muitos fãs vão perceber rapidamente: a sensação de repetição. Novamente temos brinquedos tentando encontrar seu lugar em um mundo que está mudando. Novamente existe uma ameaça à relevância deles. Novamente vemos personagens lidando com o medo de serem deixados para trás. São temas que sempre fizeram parte da essência de Toy Story. Mas depois de cinco filmes, algumas situações começam a parecer familiares demais. Em determinados momentos, o roteiro parece revisitar ideias que a franquia já explorou melhor anteriormente. Não chega a comprometer o filme. Mas impede que ele alcance o mesmo impacto emocional dos capítulos mais marcantes da saga.


O maior problema é a sombra dos filmes anteriores Talvez o maior inimigo de Toy Story 5 seja justamente o legado de Toy Story. Quando você cria obras-primas como Toy Story 2 e Toy Story 3, qualquer continuação passa a carregar expectativas impossíveis. E isso fica evidente aqui. O filme é bom. Muito bom. Mas raramente alcança os momentos devastadores emocionalmente que transformaram a franquia em um fenômeno cultural. Existem cenas emocionantes. Existem despedidas. Existem reflexões sobre crescimento e mudança. Mas dificilmente você sairá do cinema com a mesma sensação que teve ao ver Andy entregando seus brinquedos para Bonnie ou Woody se despedindo de Buzz.


Valeu a pena? Como fã que cresceu acompanhando essa franquia, eu entrei no cinema extremamente desconfiado. Parte de mim acreditava que a Pixar estava apenas explorando uma marca gigantesca para arrecadar dinheiro. Mas saí da sessão com uma sensação diferente. Toy Story 5 não existe porque a Pixar ficou sem ideias. Ele existe porque ainda há algo relevante para dizer sobre esses personagens. A execução não é perfeita. O roteiro poderia ser mais corajoso. Algumas decisões narrativas certamente vão dividir o público. Mas o coração da franquia continua ali. E isso faz toda a diferença.


Veredito Final Toy Story 5 está longe de ser o melhor filme da franquia. Também não alcança o impacto histórico dos três primeiros capítulos. Mas consegue algo que parecia impossível: justificar sua própria existência. É uma continuação sincera, divertida, visualmente espetacular e carregada de emoção. Talvez não seja o capítulo que os fãs pediram. Mas é um capítulo que, surpreendentemente, merece existir.

Matheus Bochenek

Redação 404 Nerd Not Found

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